Terapias integrativas ou complementares se popularizam no tratamento de depressão

Em 09/06/2017
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Quando perdeu o filho assassinado, há pouco mais de três anos, a aposentada Marlene da Silva, de 53 anos, ficou sem chão. Tristeza profunda, desânimo, falta de sentido para a vida. Sintomas que atingiram Marlene e que afligem mais de 320 milhões de pessoas no mundo que sofrem de depressão, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas Marlene reagiu. Encontrou um novo projeto de vida na biodança, uma prática que renova as energias do corpo e da mente.“Vejo a biodança como um combustível. Em cada aula que participo me sinto mais forte. Posso dizer que eu sou outra pessoa: feliz, determinada, com vontade de viver.”

Como Marlene, muitas pessoas com depressão buscam outras opções para evitar ou incrementar o uso de remédios farmacológicos. Esse número crescente de interessados e o reconhecimento da OMS em relação à medicina complementar, fizeram com que o Governo Federal ampliasse práticas integrativas no SUS, passando a oferecer 14 novos tipos de tratamento desde março deste ano. No Recife, o Serviço Integrado de Saúde existe desde 2004. Segundo o coordenador da Política de Práticas Integrativas e Complementares da PCR, Ellcio Farias, são realizados por mês cerca de mil atendimentos. São oferecidas consultas e sessões de homeopatia, acupuntura, biodança, meditação, aromaterapia, constelação familiar, entre outras.“Elas atuam ao nível psicológico e emocional, outras atuam ao nível do corpo. Mas elas buscam ver o sujeito de uma maneira holística. As práticas integrativas têm um eixo muito interessante que é promover o sujeito à autonomia, fazer com que ele desperte para a autocura.”

A consciência da importância da autocura foi o que levou a aposentada Agedi Tenório, de 71 anos, a se recuperar da depressão. Desde a década de 1990 sentindo os sintomas, ela deixou de lado os remédios alopatas e partiu para uma viagem em si mesma. “Me descobri em muitas coisas. A gente tem que experimentar tudo o que a gente acha que seja bom pra nós, seja menos prejudicial, menos invasivo. Hoje me avalio 90% bem.”

A depressão ocorre quando é reduzido no cérebro o nível de substâncias químicas, conhecidas como neurotransmissores. A doença pode ser classificada como leve, moderada ou grave. Além da tristeza profunda. O pensamento pessimista e a falta de energia e de vontade também são sintomas. Os tratamentos psiquiátricos utilizam ansiolíticos, estabilizadores de humor e antidepressivos.

De acordo com a OMS, cerca de 6% da população brasileira sofre de depressão, somando mais de onze milhões de casos. A enfermidade é também a maior responsável pela incapacitação de pessoas para o trabalho. Além de reduzir a qualidade de vida, provoca outras doenças graves e eleva os riscos de suicídio. O psiquiatra Edésio Lira, vice-presidente da Sociedade Pernambucana de Psiquiatria, esclarece que a medicina convencional reconhece o valor das terapias complementares em casos de depressão leve. Se for em nível moderado ou grave, recomenda medicação e psicoterapia. “O tratamento de depressão não se constitui só de medicamentos, métodos físicos e psicoterapia. Mas, por exemplo, atividade física é bom para depressão. Uma alimentação equilibrada e com alimentos que atuariam com função anti-inflamatória podem ajudar. A meditação pode também ajudar, como também acupuntura e outros métodos. Agora, esses seriam complementares.”

Se você quer fazer uma consulta gratuita no serviço da Prefeitura do Recife, ligue 3355.6144 ou vá pessoalmente levando encaminhamento médico. O atendimento é feito em dois locais: na Unidade de Cuidados Integrais à Saúde Guilherme Abath, na rua  Marechal Deodoro, 235, Encruzilhada; e no Centro Integrado da Saúde (Cis) – rua Lindolfo Collor, 65, Engenho do Meio.